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OS VÁRIOS EUS
(maneirismo literário)
Poema de Antonio Miranda
Os meus vários eus
se desentendem e se ofendem
em posições irreconciliáveis.
Os meus vários eu
se defendem como podem
exacerbando as divergências.
Entro em pânico e me recolho
execrando minha existência
múltipla e contraditória.
Tanto a paz, a indulgência
mas a confusão se instala
em minha consciência
sem qualquer escapatória.
Nem dormindo se apazigua
a guerra, contígua àquela
atração fatal dos contrários
que se anulam pela contrafação
— pelos comentários antagônicos
de eus agônicos e arbitrários
de um total desentendimento.
E por falta de melhor argumento
vão àquela lavra maneirista
do recursos redivivo
do “palavra-puxa-palavra”
do saudoso Mario Chamie.
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